40 anos de Exodus, o disco mais Punk do Reggae

Escrever sobre o Exodus de Bob Marley & The Wailers é uma loucura. Ao ouvir superficialmente músicas como “Is This Love?”, “One Love” e “Three Little Birds”, por exemplo, fica fácil imaginar Bob como um rastafári que passa os dias fumando maconha nas praias da Jamaica e falando sobre amor. No entanto, Bob foi um dos maiores expoentes do punk no “terceiro mundo” e até mesmo essas músicas tem um cunho político e social que, na humilde opinião de quem vos escreve, deixa qualquer malcriação punk-rock no chinelo.

1977

Há algumas semanas, falamos sobre Jimi Hendrix e o clima de paz, amor e psicodelia que permeava o movimento hippie em 1967. Apesar de alguns movimentos serem de suma importância para a sociedade, geralmente o impacto que eles tem para, de fato, mudar algo politicamente é mínimo. Não me entendam mal, tais movimentos (principalmente os considerados subversivos) são importantíssimos, no entanto, a real mudança proveniente disso acontece mais no mindset social do que algo, de fato político.

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A questão é que, parte da sociedade queria mudar o mundo através da paz e do amor. Outra parte, entendeu que isso não era o suficiente, que o mundo precisava mudar na – me desculpem o trocadilho horroroso – punkada. Mesmo que essa acontecesse algumas vezes de forma passivo-agressiva.

O ano de 1977 tornou-se conhecido por ter sido o ano do Punk. Discos como o Never Mind the Bollocks do Sex Pistols cuspiam na coroa inglesa enquanto, nos Estados Unidos, o Rocket To Russia do Ramones já chegava chutando a porta com o título provocativo e letras que mostravam uma juventude cansada dessa porra toda.

Em contrapartida a isso tudo aparecia Bob Marley & The Wailers com o Exodus.

Bora pra Jamaica?

Vamos. Mas vamos voltar para 1976, ano de campanha eleitoral. De um lado, o candidato socialista que tentava sua reeleição, do outro o oponente que era suspeito de ter ligações com o serviço secreto americano. Em meio a isso, quem mandava em tudo era o tráfico.

Ambos os candidatos perceberam o poder de influência que Marley tinha sob uma nação desamparada e sem esperanças e, sendo assim, os dois queriam usá-lo como porta-voz de suas campanhas. Apesar de relutante, Bob topou participar de um festival gratuito chamado Smile Jamaica, que tinha como objetivo acalmar os ânimos da população. No entanto, o festival fora organizado pelo governo vigente na época, que tentava se manter no poder e sua participação foi vista como uma escolha política.

Tentativa de assassinato

Dois dias antes do festival, um grupo de homens armados invadiram a casa onde Bob ensaiava com The Wailers e dispararam contra os mesmos. Bob levou um tiro no peito, sua esposa Rita levou um tiro na cabeça e a bala ficou alojada em seu crânio – um milagre. O agente de Bob pulou na sua frente e levou cinco tiros no abdômen, mas também sobreviveu.

Dois dias depois, Bob ainda com curativos e Rita vestindo o avental do hospital, fizeram um dos shows mais icônicos de sua carreira.

Exodus

Após o atentado, Bob foi para os EUA e posteriormente para Londres, onde compôs Exodus. Em Londres, o movimento punk mostrava a insatisfação política de toda uma juventude, a identificação foi instantânea. Uma das faixas de Exodus, “Punk Reagge Party” deixa claro o surgimento dessa amizade.

Em resposta a campanha politica de Manley, cujo slogan era “We know where we’re going” (nós sabemos para onde vamos), Marley batizou o disco como Exodus. Provocativo, não?

Todas as faixas do disco tem cunho político-religioso e traduziam todo um sentimento de um povo sem esperanças, que viam na fé a força necessária para a luta.

Dessa forma, Exodus se tornou um dos discos mais importantes da música e mostrou ao mundo que o Reggae também pode ser Punk.

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