Após 45 anos, segue viva a aura de ‘O Poderoso Chefão’

Créditos da Imagem: Cosmonerd

“Eu sei que você é ocupado e vou deixa-lo agora.”

A definição figurativa de marco no dicionário é que qualquer acontecimento que, por sua importância, marca época na história individual ou coletiva. E certamente ‘O Poderoso Chefão’ conseguiu atingir esse patamar, principalmente, ao estabelecer um novo parâmetro no desenvolvimento de histórias relacionadas a criminosos no cinema.

A escolha de Francis Ford Coppola ao montar o roteiro seguindo a abordagem utilizada por Mario Puzo no livro que inspira o filme, dando ênfase à importância familiar na administração dos negócios, traz ao espectador simpatia aos personagens. Mesmo estes sendo participantes de uma organização criminosa e estas figuras retratadas, em maior ou menor grau, recheadas de preceitos éticos e morais completamente distorcidos.

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É importante entender que o conceito de família tratado no filme não é referente às relações consanguíneas dos envolvidos, mas uma analogia sobre lealdade e obediência à organização.

Toda a estrutura patriarcal que rege as normas de conduta do círculo Corleone e seus pares, estabelece relações de abuso físico e psicológico, machismo, silenciamento e conflitos de interesse financeiro.

E mesmo com isso, porque esta obra seduz e ainda angaria fãs após 45 anos de seu lançamento?

“Esta é minha família Kay, não eu.”

A história é muito bem amarrada com o roteiro costurado a quatro mãos por Francis Ford Coppola e Mario Puzo, a escolha de elenco é feita na medida, a direção e aspectos técnicos são primorosos, e claro, conseguiu produzir dezenas de cenas clássicas e icônicas da história do cinema.

Outro fator que também contribui para a mística de ‘O Poderoso Chefão’ são as lendas e acontecimentos curiosos captados pelo diretor, muitas dessas geradas pelos improvisos dos atores durante as gravações.

É possível notar durante o andamento da história a construção dos personagens centrais, como Michael, um herói de guerra tímido e acomodado em permanecer à sombra de Santino, vai moldando seu caráter para assumir a posição de Padrinho após o atentado ao pai e, posteriormente, à morte do irmão.

A mudança de comportamento com sua mulher, seus irmãos e no gerenciamento dos negócios da família é baseada nas inseguranças que precisa mascarar para consolidar seu poder perante aos sindicato do crime.

Vemos o arrefecimento de convicção e até certo cansaço do patriarca Vito, após a morte de Santino – um desequilibrado que foi em direção da morte por conta de sua personalidade indomável e irascível – e pela percepção de que o mundo já não suportava um criminoso das antigas. Resguardando-se apenas para fomentar a trilha de sobrevivência de sua estirpe ao passar o poder a Michel.

A constante sobriedade e sensatez de Tom Hagen que mesmo sem entender ou concordar com os desígnios de seu novo chefe, o seguiu fielmente confiando em sua aura de infalibilidade e acreditando em seu amor fraternal.

Família Poderoso Chefão

Dentre todos os personagens, os que mais chamam atenção são as mulheres da família. Carmela, Constanzia e Kay são o tripé que sustentam toda a estrutura familiar sanguínea sempre prestes a ruir.

“Não falamos sobre negócios na mesa.”

A matriarca direciona e rege as ações dentro da casa, mantendo a rigidez dos costumes e bloqueando conflitos que possam abalar o ambiente em que ela moldou durante anos. Sua convicção moral, o respeito que gerava e a tenacidade em consolidar o nome Corleone como família respeitável, refreou inclusive, as ações de Michael após assumir o lugar do pai.

O comportamento rebelde e desafiador de Constanzia trouxe ao seio da família diversos conflitos, como o seu primeiro marido Carlo – envolvido diretamente na morte de Santino – e juntamente com Kay, questionando os métodos adotados pelo novo Don na condução dos negócios.

Kay é uma peça deslocada que vai perdendo as esperanças de ver um futuro promissor para si e seus filhos ao notar que todas as promessas de seu marido eram ilusórias. Luta por anos contra as contradições do sistema que orbita e vê cada dia mais opaco o espectro de prosperidade que imaginava quando decidiu viver junto a Michael, até por ser o signo de contestação e enfrentamento que restou ao caráter dele.
 

Com tantos conflitos e tantos personagens, inclusive os secundários como Fredo, Luca Brasi, Clemenza, Tessio e outros, cheios de nuances é impossível não se render a esse clássico e querer assistir sempre outra vez para encontrar algum detalhe perdido na vez anterior.

A proposta que o Padrinho faz segue irrecusável, mesmo após longos 45 anos.



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