Crítica: Ayrton Senna – O Musical

Não tem ninguém que se diga brasileiro que deixe de lembrar dos grandes momentos que Ayrton Senna protagonizou na Fórmula 1 durante os domingos. O piloto é um dos nomes mais aclamados da história da Formula 1 no Brasil e até hoje sua trajetória é lembrada. Uma grande história que rendeu o documentário intitulado “Senna”, em 2010, dirigido pelo britânico Asif Kapadia e cotado até mesmo para o Oscar, em sua edição de 2014. Que por acaso está disponível no catálogo da Netflix!

Mas não parou por aí, a história de Senna rendeu agora um musical, isso mesmo! “Ayrton Senna: O Musical” entrou em cartaz no Teatro Sergio Cardoso, em São Paulo, no dia 16 de março e a encenação vai até 03 de junho.

Na última sexta-feira (13) fui convidado a assistir a produção e memorizei os melhores momentos, juntamente com as falhas.

Quando aceitei o convite, busquei não pesquisar sobre a ficha técnica da produção para não poupar surpresas. O que foi ótimo, já que ao chegar no teatro os momentos inesperados vieram à tona. Uma pequena exposição de miniaturas dos famosos carros que Ayrton Senna pilotou durante sua carreira ocupavam o lobby e não parou por aí, havia um andar destinado a outros objetos de sua carreira expostos, como capacete, trajes. Foi realmente uma volta ao passado!

Como um bom observador, notei que as filas para convidados eram maiores em um nível absurdo, comparado a fila da bilheteria para pessoas que compravam os tickets na hora. Pensei comigo: – mais convidados, do que um público pagante. Seguimos em frente e já em nossos lugares, estranhei a platéia preguiçosamente vazia, mesmo faltando poucos minutos para o inicio. Último sinal e, como suspeitava, uma multidão entrou de uma vez, mas não o suficiente para lotar a platéia. Muitos lugares vazios no fim do espaço, mas ainda assim, era uma audiência. 

As cortinas se abriram e testemunhamos Senna outra vez. A primeira coisa que surpreende é ver cada ator voar pelo palco, um espetáculo circense a la Cirque de Solei, muito bem executado. Renato Rocha, o diretor, merece um elogio nesse ponto por focar de forma impecável no caráter da velocidade, abusando da metáfora de que Ayrton voava na pista. Mas peca em introduzir a técnica em praticamente todos os números musicais, tornando o diferente em comum.

Os figurinos assinados por Dudu Bertholini? são um dos pontos mais marcantes da produção, uma das primeiras coisas a soltar depois de sair do teatro foi: “E os figurinos!”, é extremamente único, nostálgico e, com grandes referências a cultura pop, uma assinatura de grande referência ao trabalho de Bertholini.

Uma dupla que também merece atenção é Claudio Lins e Cristiano Gualda pelo excelente trabalho nas composições originais. Como eu gostaria de ter essa trilha sonora disponível nas plataformas digitais! Muitos dos números musicais, pelo menos a mim, faziam referências a famosas performances de artistas pop internacionais, os cenários eram perfeitamente coerentes com cada música trazendo a grandiosidade precisa.

O elenco fez um ótimo trabalho, Hugo Bonemer foi o Ayrton Senna nostálgico no ponto certo, mas quem roubou a cena foi o Pedrinho, quero dizer, João Vitor Silva, que faz Senna mais novo. Eu realmente fiquei surpreso com o poder vocal do ator em sua performance, me roubou muitos elogios durante o espetáculo. Mas o não acerto, que deixa a produção confusa juntamente com outros pontos que eu explico mais tarde, foi o aproveitamento excessivo dos atores em diferentes personagens. A reciclagem de atores somada com o roteiro frágil fez confusão!

Ayrton Senna – O musical que poderia ser

O roteiro é baseado na biografia de um dos nomes mais importantes da história do automobilismo no mundo, não tem como ser ruim, mas a forma como foi executado deixou furos. Eu me deslumbrei com os efeitos musicais, visuais, a performance, mas até o segundo ato eu não entendia muito bem o que estava acontecendo. O primeiro ato é uma confusão, o segundo tenta explicar com mais detalhes e te faz entender depois de um longo esforço.

Somando todos os pontos a produção é muito mais performance do que teatro, o texto desenvolve sentimentos nostálgicos pela força que tem a história de Ayrton Senna, não pelo envolvimento do roteiro.

É um espetáculo a ser visto sim. E muito! Fiquei triste quando não vi a platéia lotada. É uma história incrível, emocionante e tão bonita. Vale muito a pena conferir por relembrar e participar dessa homenagem de uma figura tão importante e respeitada de nossa história. Mas se você procura um espetáculo musical teatral raiz, pode se decepcionar.

Para informações sobre horários e ingressos para o espetáculo, acesse!.

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