Brasil: o país que acolhe, mas não integra os refugiados

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Fonte da imagem: AFP

Segundo a Convenção de Refugiados de 1951, um refugiado é alguém que “temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país”.

Dados divulgados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em 18 de junho de 2015 mostram que 1 em cada 122 pessoas são obrigadas a se deslocar de seus países devido à conflitos armados, violência generalizada, fome, miséria e desastres naturais. Esse é o maior índice registrado desde a Segunda Guerra Mundial e está acelerando rapidamente.

No Brasil, segundo dados do Comitê Nacional de Refugiados (CONARE), órgão que lida principalmente com a formulação de políticas para refugiados no país, são mais 8.400 refugiados, de 81 nacionalidades diferentes no país. Os principais grupos são compostos por nacionais da Síria, Colômbia, Angola e República Democrática do Congo (RDC).

Este número se torna ainda maior contabilizando os casos de haitianos, que por possuírem visto humanitário, não são contabilizados nos dados do CONARE e do ACNUR. Segundo o Abrigo de Imigrantes localizado em Rio Branco, no Acre, somente por lá, já passaram mais de 40 mil imigrantes, nos últimos cinco anos.

O Brasil, conhecido mundialmente por sua pluralidade cultural, é um ótimo lugar para acolher pessoas, mas, dependendo de sua nacionalidade, não é interessado em integrá-los. No Rio, refugiados africanos enfrentam pobreza, violência e preconceito. Em São Paulo, são segregados em bairros de extrema vulnerabilidade social.  No Congresso, um deputado os chama de “escória do mundo”.

Mesmo com todo ódio e ignorância, têm surgido ótimas iniciativas que tem como missão empoderar os imigrantes e quebrar as barreiras e estereótipos que foram criados em torno deles. Abaixo você pode conhecer algumas delas.

Migraflix

O Migraflix se baseia em workshops culturais dados pelos imigrantes para brasileiros que vão desde culinária até literatura. Esses encontros geram renda aos refugiados e permitem um intercâmbio que ajuda a aproximá-los dos brasileiros.

Abraço Cultural

O Abraço Cultural, uma parceria do Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus) com a plataforma social Atados, é um curso de Idiomas ministrado por refugiados, com objetivo de promover a troca de experiências, geração de renda e valorização pessoal e cultural dos professores.

MemoRef

Montar um acervo digital sobre refugiados a partir da produção deles próprios em aulas de português e outras atividades culturais. Esse é o objetivo do MemoRef, idealizado e integrado por estudantes de Letras da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Refugiados: eu me importo

Com o intuito de sensibilizar brasileiros e aproximá-los das pessoas que se refugiam no país, o Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto de São Paulo (GRIST) lançou a campanha “Refugiados Eu Me Importo”. A frase foi estampada em camisetas que serão vendidas e entregues pelos próprios refugiados. O preço da camiseta é de apenas R$ 20,00 e para solicitá-la basta enviar um e-mail para [email protected] ou ligar no telefone (11) 97155-2912.

O país da indignação seletiva

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Fonte da imagem: AP

Quem não se sensibiliza com o drama dos atuais refugiados? É fácil indignar-se com o frágil corpo de uma criança síria de apenas três anos estendido em uma praia turca, mas somente isso, infelizmente, não basta. A indignação seletiva do brasileiro não é suficiente em momentos de crise como esse. É preciso parar de olhar o imigrante europeu com ar de admiração, enquanto vocifera contra os empregos perdidos para os caribenhos, africanos etc.

Não estou aqui para apontar o dedo, mas você já se perguntou o que tem feito para mudar essa situação?

Leo Cruz

Especialista em criar aquilo que um dia você vai procurar no Google. Fã de Filmes, Séries e Animes, escreve diariamente no Deveserisso.

2 comentários sobre “Brasil: o país que acolhe, mas não integra os refugiados

  1. Ao terminar de ler a matéria, sinto como se nada mais fizesse sentido. Está tudo ao contrário, o que realmente importa é o que parece e que realmente é não tem valor. Excelente texto, me fez refletir não só na questão dos refugiados mas em um aspecto geral.

  2. Eu concordo c/ o Sr. Bolsonaro, nós não conseguimos acolher, nem assegurar uma vida digna à maioria dos brasileiros. Nosso sistema de saúde pública está falido, educação pública idem, segurança pública idem, o próximo da lista será a previdência social. Falta dinheiro pra tudo, mas não falta para abrir um escritório de importação de mão-de-obra barata em Porto Príncipe. Qual é o propósito disso? Perpetuar a miséria no Brasil e assim assegurar que sempre haverá uma massa de desvalidos para serem manipulados por promessas populistas?

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