Breve história das mulheres na música – 1ª parte

2 – Elza Soares

Quem é? Mulher, negra, pobre. Elza foi obrigada a parar os estudos aos 13 anos de idade para casar-se com seu primeiro marido. Com 15 anos já havia sido mãe duas vezes e com essa mesma idade, já havia enterrado seus dois filhos. Trabalhou fazendo faxina para sustentar a casa e seus outros cinco filhos sem nunca desistir de seu sonho de cantar. No início de sua carreira, casou-se com Garrincha e com ele teve mais um filho.

O que ela fez? Elza é um mulherão da porra. É a representação de toda mulher negra e pobre do Brasil. Sustentou oito filhos e lançou mais de 30 discos, tudo isso, enquanto era socialmente julgada e acusada de se casar com um dos maiores jogadores de futebol da época por interesse. Jogador que aliás, era alcoólatra e violento. A vida fez de Elza uma pessoa forte, sofrida e isso sempre foi tema de suas músicas, mesmo que velado. Ainda nessas circunstâncias, Elza era uma mulher à frente de seu tempo: vestido curto, salto alto, maquiagem pesada em uma época que isso era inaceitável para uma “mulher de respeito”.

Pelo que é lembrada? Aos 87 anos, Elza é a personificação da força de uma mulher. Mas por muito tempo, foi somente a esposa interesseira e viúva desbocada do ídolo Mané Garrincha que enquanto todos o colocavam num pedestal, ele fazia questão de mostrar a ela que era superior. Tudo isso através de um relacionamento abusivo e violento.

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1 – Rosetta Tharpe

Quem é? Sister Rosetta Tharpe, mulher negra da Carolina do Sul, EUA. Cresceu dentro da igreja se apresentando com sua mãe, logo de cara, virou uma monstrinha da guitarra e começou a misturar música gospel, country com outros ritmos.

O que ela fez? Além de ter sido uma das primeiras mulheres a tocar guitarra, Rosetta misturou ritmos que originaram o Rock and Roll e influenciou toda a leva de artistas que se consagraram no ritmo.

Pelo que é lembrada? Por quase nada. Pouca gente conhece Rosetta e, com o passar do tempo, a “invenção do rock” foi atribuída a outras pessoas. Todos homens. Afinal, uma mulher negra não poderia ter inventado algo tão bom. Até hoje, Rosetta não teve total reconhecimento como a inventora de um gênero musical tão difundido.

Essas são apenas quatro. E eu aposto com vocês que em toda história da música, não teve uma mulher que não tenha passado por situações semelhantes ou piores. E não cabe culpabilizar somente a indústria musical, mas também a mídia e a sociedade como um todo. E o que podemos fazer para ajudar? Além da desconstrução diárias, apoie bandas formadas por mulheres. Vá a shows, ouça as músicas, divulguem. Essa é a única maneira de se conseguir um ambiente menos machista e com mais pluralidade dentro da música.

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