Crítica de Sete Minutos Depois da Meia Noite – Impossível Não Se Emocionar!

“Velho demais pra ser criança, e novo demais pra ser adulto”.

Provavelmente eu devo ser uma das pessoas que nunca chorou assistindo um filme. Mentira. Eu chorei assistindo “O Garoto do Pijama Listrado”. Mas fora esse filme que é de partir o coração, assisti a muitos outros que o público em geral dizia ser emocionante, e não me desceu uma lágrima. Fui assistir a “Sete Minutos Depois da Meia Noitesem ter lido o livro pensando que o foco seria na “magia” da tal árvore falante e sua relação com o garoto Conor O’Malley. Mas o filme vai muito além disso, sendo muito mais humano do que mágico, e eu digo isso como alguém que chorou horrores pela primeira vez.

Conor O’Malley (Lewis Macdougall) é um garoto de 13 anos que mora com a Mãe (Felicity Jones), que está com câncer. Por sua mãe estar doente e não poder fazer muito esforço físico, ele assume as responsabilidades de uma pessoa adulta, e cuida da casa realizando atividades como lavar roupa, lavar louça, limpar a casa, fazer comida…

Nesse momento eu já estava querendo entrar na tela e abraçar o menino. Mas quando ele chega à escola, que deveria ser um lugar onde as crianças se sentem a vontade, (pelo menos na teoria), e sofre Bullying calado, eu queria levantar e pegar o menino para criar como meu filho. Ele apanha de forma gratuita e sem revidar. Se sente invisível, porque todos o tratam como se a qualquer momento ele fosse quebrar, deixando até de puni-lo quando faz algo errado. A atuação de Macdougall merece ser ovacionada, pois ele foi capaz de dar tamanha profundidade ao personagem, que era quase palpável a dor que ele estava sentindo, a raiva e a frustração.

Em meio a tudo isso, o pequeno ainda precisa lidar com uma árvore gigante, que vem à seu encontro sempre que o relógio chega às 00:07h. O “monstro” não tem o objetivo de assustar Conor, mas de ensinar lições e ajuda-lo a entender e passar por aquela situação. O filme vai fundo na psicologia infantil, e talvez por causa da minha graduação, particularmente percebi que houve um cuidado especial do enredo em trabalhar o lado pedagógico de cada história contada pela árvore.

Interessante a escolha da espécie de árvore da qual o monstro é feito. O Teixo é uma espécie de árvore que tem um crescimento muito lento, podendo chegar a vinte e cinco metros e viver até dois mil anos. É uma árvore contraditória, pois suas folhas são altamente venenosas, mas elas possuem uma fruta extremamente doce e comestível. Isso é interessante, por causa de uma das frases que o gigante diz a Conor: ‘Ninguém é cem por cento bom ou mau. Todos possuem um pouco de cada, e tudo bem ser assim, porque isso é a coisa mais humana que existe‘.

A mente humana é uma coisa que ainda estamos bem longe de desvendar completamente. Durante a infância, cada acontecimento é uma gotinha que vai juntando com outras para moldar a nossa personalidade. Infelizmente, algumas crianças precisam lidar com problemas “adultos” ainda cedo, e como a mente delas é algo que se adapta com rapidez e facilidade, elas acabam sendo forçadas a amadurecer antes do tempo.

Isso acontece com Conor, que precisa lidar com situações novas e “adultas” para a idade dele. Sua Vó (Sigourney Weaver) diz enquanto Conor prepara um chá que ‘ uma criança não deveria fazer as coisas que ele fazia em casa sem que um adulto tivesse pedido’, o que indica que ele já não tinha mais a inocência de uma criança, ele já conseguia enxergar as coisas como um adulto, tendo pulado etapas.

Constantemente, o garoto pergunta a sua mãe se ela ainda pode ser curada, e diz que ela pode contar a verdade. A química entre Macdougall e Felicity é intensa, e cada cena que eles atuam em conjunto, é como se realmente fossem mãe e filho, nos fazendo esquecer que é um filme e tornando real a dor dos dois, o que só aumenta nossa angustia ao decorrer do filme, com medo que o pior possa acontecer.

Na mente de Conor, as coisas estão bagunçadas, e isso fica evidente com as histórias que o monstro conta. Elas ajudam a entender em quem ele deve confiar e de quem ele deve sentir raiva. Para o garoto, sua Vó era uma Megera que queria tira-lo de sua mãe, mas ela apenas queria que ele não tivesse que “ser um adulto”. Para ele, seu Pai poderia ser um herói, mas o Pai não queria cuidar dele por já ter outra família. O’Malley então precisa olhar para dentro de si e tentar entender quais eram seus sentimentos.

Conor ainda precisa lidar com O Pai (Toby Kebbell), que parece não ter espaço para o pequeno em sua vida. A aflição de Conor ao perceber que está sendo rejeitado é tão grande, que ele busca uma válvula de escape, numa das cenas de maior carga emocional do filme. Mas nenhuma cena vai superar a final, quando o ele precisa aceitar uma verdade que o monstro insiste que ele diga em voz alta.

Eu vou me lembrar desse filme para sempre como “Aquele que me fez chorar“. As histórias do monstro não são apenas uma lição para o pequeno Conor O’Malley, são uma lição de vida para todos nós. Nem tudo está ao nosso alcance, nem tudo está ao nosso alcance resolver, e desejar que uma situação ruim acabe logo não fará de nós seres humanos piores.

Ninguém é tão bom ou tão mal. Somos falhos. Fazemos escolhas erradas. Mas tudo bem, porque isso é o que nos torna Humanos…

Um comentário em “Crítica de Sete Minutos Depois da Meia Noite – Impossível Não Se Emocionar!

  1. Recomendaram-me esta filme e realmente é muito interessante. É um dos melhores do gênero de fantasia que estreou o ano passado. É impossível não se deixar levar pelo ritmo da historia. Sua historia é muito fácil de entender e os atores podem transmitir todas as suas emoções. Inclusive, aqui encontrei os horários: https://br.hbomax.tv/movie/TTL604336/7-Minutos-Depois-Da-Meianoite achei um filme ideal para se divertir e descansar do louco ritmo da semana. Superou as minhas expectativas, o ritmo da historia nos captura a todo o momento. Se vocês são amantes dos filmes de drama, este é um que não devem deixar de ver.

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