Estamos aqui, Chuva Negra!

Chuva Negra

O Chuva Negra é uma das bandas mais celebradas do hardcore nacional. E a construção dessa imagem provém da maneira quase despretensiosa que os integrantes propuseram ao iniciar as atividades há quase uma década. Nesse episódio de nosso podcast conversamos com o vocalista, Rodrigo Chinho, detalhadamente sobre este assunto. 

Por ser uma banda que não faz shows em profusão, cada oportunidade de acompanhar uma apresentação precisa ser aproveitada. E na proximidade do Oxigênio Hardcore Fest 2017, traçamos um perfil para os desavisados se prepararem para o que está por vir no próximo sábado (26/08).

Estamos aqui, Chuva Negra

Já são quase oito anos de caminhada e ainda assim, sempre que surge uma fagulha de novidade os olhos se voltam ao que o Chuva Negra tem para mostrar. Talvez a maneira despretensiosa em que fomos apresentados tenha fisgado a atenção ao que vem a seguir.

As reações desconexas ao encontrar pessoas que um dia foram importantes, mas hoje são o signo daquilo que mais rejeitamos foram traduzidas pela classe de 97. Onde eu estava com a cabeça, e pior, o que fiz pra merecer esse fantasma me acompanhando? Devia ter falado isso antes.

Isso precisava ter aparecido antes.

Esse foi o primeiro impacto ao receber Terapia. Um sopro de novidade formatado por pessoas que já estavam há muito nesse jogo da cena. Não havia nenhuma intenção em fazer hits, hinos ou angariar legiões atrás de refrões. Era simples e direto, a sonoridade e as palavras atingiram a quem estava disposto a escutar. Sem dramas ou apelos, aquilo era novo por ser apenas uma reunião de ideias comuns.

Aquelas que poucos tem capacidade para conectar.

E como ter vozes e anseios representados fazem a diferença. Pessoalmente, desde o Polara não tinha essa sensação ao ouvir um punhado de acordes.

Meio termo e nenhuma parcimônia

Após a aproximação terapêutica em que era possível encontrar aqui e ali traços de paranoias e comuns, chegou a porrada mais bem dada do Chuva Negra até agora. Passou o verão e em Meio Termo as preocupações cotidianas dos trinta e poucos se confundiam com os dias despreocupados da adolescência. Um prêmio, quase um abraço a cada palavra e acorde que saía de um setlist sincero.

A maturidade e entrosamento pesaram ao conseguir notar nuances próprias de cada um que fazia parte da obra. Antes soava pessoal, agora é coletivo. Questionar onde e com o que consumimos nosso tempo foi o grande mote. Entender que a sociedade se constrói na pluralidade, e no olhar ao redor, para nos moldarmos ao deixar vícios e ideias tortas de lado.

Escolhendo a música de casa, caçando nazis ou quase perdendo a linha que nos puxa de volta aos nossos. Mas sempre com a certeza que nosso direcionamento parte de quem nos ensina a crescer.

Aqui ninguém está preparado para reconhecer que o jogo foi na moral. E essa percepção em notar que as histórias se constroem de maneiras diversas aumenta o peso que o Chuva Negra tem no hardcore nacional. É daquelas bandas que colocam a régua alguns centímetros mais acima para quem vai tentar o salto.

No pior estilo autoajuda, posso dizer que algumas bandas salvam. E não é te convencendo com meia dúzia de palavras e acordes, mas te mostrando que todo mundo tem um problema na cabeça. Cada um constrói a própria rebelião. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *