Geo encontrou a maneira de produzir Pop nacional?

Geo

Essa semana está acontecendo o Rock in Rio e como sempre há aquela galera reclamando que não tem rock no lineup. As mesmas pessoas que batem nessa tecla há 30 anos, não tem a mínima noção que o nome do festival é apenas uma alegoria, não necessariamente para abranger artistas de um determinado estilo.

No começo as coisas eram mais misturadas, mas nas últimas edições as atrações de outros estilos tem sido descoladas dos mesmos grupos de rock que encabeçam o evento. Ganharam noites especiais para evitar encontro de públicos distintos, apesar que hoje, os públicos são mais homogêneos e muitos acabam comprando ingressos para todos os dias do festival.

Os primeiros headliners desse ano foram atrações do pop mundial. E mesmo com a ausência de Lady Gaga, a apresentação de Justin Timberlake supriu a necessidade de um grande astro para fechar a noite de um evento desta magnitude.

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Lady Gaga, Alicia Keys, Fergie e Justin Timberlake. Sonoridades distintas, porém devidamente encaixadas na prateleira do pop. Mas quais artistas brasileiros poderiam ser escalados para dividir o palco nessas apresentações?

A música pop nacional nunca teve representantes orgânicos. Tudo era moldado por produtores e gravadoras gigantes, voltadas ao público adolescente e configuradas através de concursos para formar grupos cantando músicas chiclete ou one hit wonders.

Pouca coisa foi vendida como pop no conceito abraçado mundialmente, aqui sempre se entendeu que pop é o popular que agrada às massas. Não como um gênero específico com suas nuances e estéticas próprias. Algumas tentativas flertaram com outros gêneros como rock, mpb ou r&b. Mas não lembro de nenhum trabalho pura e assumidamente pop como a Geo vem fazendo. 

O Pop triste de Geo

A coisa que mais me incomoda em relação aos artistas brasileiros são as comparações com o trabalho de artistas gringos feitas por jornalistas e público. Um exemplo é o que fazem com a Geo, enquadrando-a como a Lana del Rey brasileira. Porra nenhuma! Ela é a Geo e isso basta. Claro que sempre há aquele sentido de localização sobre estéticas musicais, mas a produção dela é única e apesar das referências elogiosas, não acho que necessite dessa comparação.

As composições fortes e diretas que expõem experiências pessoais, por vezes pesadas e sofridas, contrastam com a sonoridade leve e sedutora das músicas. Flertando com linhas de trap e produzindo sons dançantes no meio de um mar de frases melancólicas. Os singles lançados até agora tem aspectos em comum e ao mesmo tempo sua independência.

Partes diferentes de um mesmo corpo. Recortes de situações corriqueiras que são percebidas apenas por quem as vivenciam. Ainda breve é a caminhada dessa paulistana, mas o pouco apresentado carrega a sensação de que seu nome será muito ouvido dentro de diversas cenas.

E talvez, o conceito do pop abraçado na gringa se encontre com o nacional e o som de Geo será popularizado. Para atingir às massas e finalmente entregar música de qualidade nesse gênero.  

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