O que é que tem na água de Pelotas?

Zudizilla

O nome de Pelotas é casualmente ligado a seus doces, tradição educacional e a conservação de seu centro histórico. Uma das cidades mais importantes do sul do país, guarda em cada rua a memória de um passado pródigo e repleto de fatos marcantes. 

Quem vê de fora tem a impressão que a cidade parou no tempo, inclusive ao comparar com outras cidades do mesmo porte no Rio Grande do Sul. Apesar de seu polo educacional, ainda é difícil o acesso universal ao conhecimento. Um reflexo das políticas locais e com o fim do incentivo que parecia tentar equilibrar as forças de representatividade nesses espaços. E hoje diversas instituições definham ao perder apoio e incentivo.

Contrariando as estatísticas, musicalmente, Pelotas transborda talentos e principalmente no rap apresentou dois dos artistas que mais me surpreenderam nesses últimos tempos. Recheados de conhecimento, com visões de mundo certeiras e representando vozes que vão além dos limites de qualquer localidade. 

Zudizilla segue fazendo a coisa certa…

Quando ouvi o ‘Luz’, mixtape de 2013 de Zudizilla, fui displicente e dei pouca atenção. Seja por falta de tempo ou puro desencontro de ideias, acabei deixando de lado algo que precisei redescobrir. Precisava de uma referência que explicasse minimamente o impacto que recebi com ‘Faça a Coisa Certa’.

O álbum é um pacote artístico completo. Influências conceituais de Spike Lee, visuais de Basquiat e a poesia e flow de Zudizilla tornaram o disco um marco. É atualmente o ponto que norteia quem busca por rap bem feito provindo da região sul. A qualidade estética e cuidado em cada estágio dessa produção precisam ser estudados mais a fundo.

Artistas da região norte e nordeste tem dificuldade de inserção ao público do eixo RJxSP. E o mesmo acontece pra quem está abaixo dessa linha geográfica. É de se pensar que para ser reconhecido é preciso estar em determinada localidade.

Com um pouco mais de boa vontade, os comentários, análises e discussões em torno desse álbum seriam recorrentes. Aparentemente esse espaço está se abrindo e em breve veremos mais notícias e maior visibilidade para esse cara que pode ser reconhecido como artista independente da acepção escolhida para o termo.

Escute o disco de ponta a ponta e receba toda a sagacidade e inteligência presente nas linhas de Zudizilla.

 

…e Bart sabe que seu lugar é no topo

Bart

Por seguir o trampo de Zudizilla há algum tempo, acabei conhecendo essa pérola que vem da mesma cidade. Essas associações felizmente acontecem e apresentam muitas referências novas. 

As raízes musicais de BART vêm de berço e ao unir estas com suas experiências pessoais, apresentou em seu mais recente vídeo mais indicações do que deve aparecer em seu primeiro EP. Um flow metricamente estudado marcam as ideias certeiras que de distribuem por um beat poderoso.

Ao trabalhar temas que tratam sobre autoconhecimento, representatividade e questões sociais verbaliza os conceitos abraçados pelo seu trampo como produtora cultural. Nas cabeças da Stay Black e do coletivo DASMINA dissemina informação e interação entre as mulheres e a sociedade.

Em breve ‘Astral’, seu primeiro EP, estará disponível. É bom ficar ligado pra acompanhar, pois as prévias tem se mostrado extremamente promissoras. 

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