Por que nós Brasileiros devemos assistir House of Cards

House of Cards Frank

Entendemos pouco sobre a política do nosso País e bem provavelmente menos ainda sobre a norte-americana, em especial a dos Estados Unidos. Mas, mesmo assim algumas premissas se mantém, e a corrupção, por exemplo, não é algo existente somente no Brasil, mas no mundo capitalista onde vivemos e no qual acredita-se que os mais poderosos, com maior capacidade de articular e cercar-se dos mais influentes, se sobressaiam, claro que há troca de favores e facilidades, o que é bem comum para chegar ao topo . Sem aprofundar mundo, já que o nosso momento atual é bem intenso e a discussão poderia levar décadas e mesmo assim não chegaríamos num consenso, vamos falar de uma série que entretém e ensina um pouco de como o nosso “mundo” funciona, mesmo sendo ficção, muitas coisas já se provaram reais.

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House of Cards foi a série de estréia do Netflix e ganhou alguns prêmios desde a sua estréia. Com a sua temporada recém lançada, a quarta, acompanhamos os protagonistas Frank Underwood como o presidente dos Estados Unidos e a primeira dama Claire Underwood e o desafio deles em se manter no poder. Caminho iniciado na primeira temporada como líder dos democratas na Câmara, e acompanhamos a sua ascensão como vice-presidente e por fim presidente dos Estados Unidos, posições essas alcançadas através de golpes, chantagens, traições e assassinatos. O roteiro é sempre brilhante e mesmo que algumas “maquinações” não sejam entendidas de imediato, há uma ligação entre os acontecimentos, personagens, e desfechos que deixam os expectadores boquiabertos e querendo entender mais desse jogo, mesmo não tendo o conhecimento aprofundado sobre a política americana.

Com a série conseguimos acessar o psicológico dos personagens, o que nos leva a vários questionamentos de consciência, mas é tudo tão viciante, o que nos leva a torcer para que os Underwood cheguem ao topo e lá se mantenham. Somos expectadores da pressão sofrida por eles, dos valores perdidos, do que tiveram que deixar para trás para manter-se sempre em frente, da imagem que precisam passar para que os outros e acima de tudo o quanto a parceria entre eles é importante para se manterem no caminho e sempre em frente.

Frank Underwood lidera absorvendo e manipulando o medo das pessoas, mas já usou muito de “conversa fiada” para enganá-las também. O intuito dele é ser um nome a ser lembrado, não mais um a chegar à casa branca, isso é o de menos, o se manter lá e fazer grandes realizações é pelo que ele anseia. Sua esposa veio de uma família bastante tradicional de Dallas (Texas) e ele nunca achou-se digno de se casar-se com ela, sempre foi visto como o caipira de Gaffney (Carolina do Sul) que se deu bem as custas de um bom casamento e graças a confiança que conseguiu do sogro e sua ambição sem limites, apoiado incondicionalmente pela sua esposa Claire, foi possível entrar na política e chegar ao topo.

House of Cards Elenco

Bom, olhando essa sinopse parece apenas ficção não é? Mas, basta acessar as matérias que saem na mídia, crimes, compras de votos, propinas para licitações de obras, facilitações e troca de favores entre empresas públicas e privadas, e tantas outras mais, que percebemos como o dinheiro tem influência sobre nosso pensamento e comportamento. Então, perder os valores e a capacidade de julgar a moralidade acaba se tornando normal. E personagens como Frank Underwood tornam-se heróis (ou anti-heróis) porque fazem de tudo para se manter no poder e fazem as coisas acontecer a sua maneira. Todos nós gostamos de ação (a inércia e a fraqueza nos deprime por fazer parte da nossa realidade) e em alguns momentos pensamos que os fins possam justifica os meios, desde que algo aconteça!

Trazendo para a nossa realidade, como justificar que o ex-presidente Lula ainda seja tido como herói por muitos, mesmo desapontado tantos outros, por ter se corrompido pelo poder, justo ele, o maior representante do povo, que ascendeu graças aos seus anos de luta e que tanto fez pelo Brasil através dos seus programas sociais e culturais? A resposta é simples, ele chegou lá, entrou no jogo e fez acontecer. Mas, claramente não saiu de mãos limpas, pois quando se trata do poder é difícil saber onde é o limite porque ele inebria e aliena. Então, o que podemos aprender? Como poderíamos recuperar a nossa confiabilidade política se aparentemente é algo que nunca existiu e talvez nunca exista no sistema capitalista que vivemos? E se aparentemente não há solução, devemos desistir? Será que quando algo realmente acontecer voltaremos a acreditar na democracia?

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