Técnica e vivência. Trabalho e conhecimento empírico. Aquilo que se enxerga e a maneira que se consegue transmitir seu ponto de vista. A junção de teoria e prática é o trabalho de Rodrigo Ogi, seja escrevendo ou mandando seu flow. São formas e conceitos que se adaptam e encaixam nas brechas que a melodia e métrica permitem.

O que manda é constante busca da evolução de conceitos e na propagação de ideias por vezes elaboradas demais para quem consome tudo rápido demais. É preciso estar atento, deixar cada beat, cada frase se encontrar com o contexto. Escrita solta funciona de maneira diferente para cada um que absorve. E sem paciência não é possível se ater aos detalhes.


Numa sociedade cada vez mais insensível para conexões cognitivas que vão além de uma imagem, nada melhor que se expressar através de sua (hash)tag. Seja no muro ou em fones alheios, Ogi marca feito cicatriz as faces e feices com seu talento quase despretensioso.

Do alto que se aprende a pilotar o Megazord   

A influência primal de todo garoto que se apaixona pelo rap em qualquer periferia brasileira sai da mesma fonte. É impossível partir de qualquer ponto que não seja da expansão que o Racionais proporciona, independente da época, nesse grupo à frente de seu tempo.

É pólvora pra quase todos, mas só funciona para aqueles que já sacaram que existe o gatilho. Após idas e vindas, Ogi desenvolveu a técnica de controlar como se atira.

No corre de descobrir que uma cidade do tamanho de São Paulo pode oferecer influências e referências, rodou por onde era possível e viu que existem pessoas, formas e entonações de contar histórias similares.

Seja através do alto de um edifício ou nas páginas do caderno, é importante ser notado. Essa é a resistência de quem é relegado a segundo, terceiro ou quarto plano. No amor ou na dor nos fazemos vivos e quando temos sorte de ter o talento notado, somos gigantes.

Maior que a cidade, olhares tortos e da crueldade daqueles que fingem que não existe nada além de cercas e muros.

Ogi -- O cronista da surpresa

Após o trampo com o Contrafluxo, para muitos estava encerrado o ciclo de Ogi no rap. Pouca gente espera que quem de certa maneira está consolidado saia de sua zona de conforto. E foi assim que quando menos se esperava, dois socos vieram. Apesar de um intervalo considerável entre os lançamentos de Crônicas da Cidade Cinza e Rá! foram sopros de renovação em uma época em que os caminhos da cena tomavam outro rumo.

Se antes era um nome conceituado pelo público, passou a ser reconhecido pela mídia. Indicações em prêmios, shows maiores e inserido numa cena mais estruturada. A partir de 2007 a atenção do mainstream se voltou para uma geração, até então, silenciada e com pouquíssimo espaço.

E a qualidade da crônica de Ogi supera de longe a maioria dos MC’s atuais. Referências que vêm de literatura, cultura pop e de uma prosa rica. As histórias elaboradas a partir da observação do cotidiano com experiências pessoais tornam o trabalho dele inimitável.

Já circulam rumores de um novo álbum num futuro próximo, pois o mesmo confirmou que junto ao produtor Nave iniciaram a produção de alguns sons. Se não sair esse ano, pelo menos deve rolar a segunda parte de InSOMnia. O que já é um grande alento!  

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Foto por Ricardo Vieira
Vídeos Rodrigo Ogi

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Técnica e vivência. Trabalho e conhecimento empírico. Aquilo que se enxerga e a maneira que se consegue transmitir seu ponto de vista. A junção de teoria e prática é o trabalho de Rodrigo Ogi, seja escrevendo ou mandando seu flow. São formas e conceitos que se adaptam e encaixam...