Se estivesse vivo, o homem de preto Johnny Cash faria 84 anos
A música chamada “fora da lei” (outlaw para os americanos) viu nascer seu maior expoente neste dia, no ano de 1932. A pequena cidade de Kingsland, no Arkansas, foi a escolhida para assistir ao crescimento de John R. Cash, o mais famoso de seus cidadãos. O Homem de Preto era a figura de um genuíno caipira do sul dos EUA.

Quando chegava da escola, Cash gostava de ligar o rádio e ouvir canções que falavam de amores, da terra e da vida dura no campo, inspirada na colheita de algodão que, nas décadas de 40 e 50, sustentava famílias inteiras. Com apenas cinco anos, Cash já era um desses trabalhadores que, debaixo de sol quente, entre uma colheita e outra, acompanhava sua mãe em alguns versos para aliviar o cansaço.

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Um dos conjuntos que ele mais gostava de ouvir era o tradicional Carter Family, liderado pela matriarca Maybelle e suas filhas Hellen, Sara, Anita, Janette e June Carter, que mais tarde seria a esposa dele.

Em 1954, após ser dispensado da Força Aérea Americana, Cash foi morar com sua família em Memphis, no Tennessee, buscando uma vida melhor para seus filhos e a esposa Vivian. Lá, descobriu um estúdio de gravação chamado Sun Records. Após muita persistência e composições que não emocionavam o dono Sam Phillips, Cash gravou seus dois primeiros singles com os companheiros de banda Luther Perkins e Marshall Grant.

Hey Porter e Cry Cry Cry fizeram tanto sucesso que chegaram aos topos das paradas de rock do ano de 1955. Seguindo a linha “outlaw country”, Cash lançou Folsom Prison Blues e Walk The Line, que também caíram nas graças do público. Resultado: em 1957, apenas três anos depois de chegar ao berço do rock, Cash já havia gravado um álbum completo só com sucessos.

Cash nunca fez um show em que não estivesse usando roupas pretas, por isso era chamado de Man in Black. Ele dizia que era um símbolo de sorte e que sua música era feita para os homens oprimidos pela sociedade. Certa vez, Vivian disse que parecia que ele iria cantar em um enterro. Ele respondeu: “talvez eu esteja indo mesmo”.

Em 1966, separou-se de Vivian Liberto e, mais tarde, casou-se com aquela que seria sua esposa até a morte, June Carter, a mesma que Cash ouvia no rádio quando pequeno. Com ela, o artista lançou músicas e discos inesquecíveis, além de inspirar casais apaixonados pelo mundo todo. Foi um amor inabalável, daqueles que só vemos em contos de fada. Cash teve que pedir mais de dez vezes para que June se casasse com ele, até que ela se cansou de resistir e disse sim. June foi o alicerce da batalha de Cash contra o vício em anfetaminas. Juntos eles tiveram apenas um filho.

June Carter morreu em 15 de maio de 2003, em Nashville. Cash faleceu apenas quatro meses depois, aos 71 anos, vítima de problemas respiratórios. A casa deles, em Hendersonville, Tennessee, faz parte da rota de visita dos milhares de fãs.

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Após sua morte, Willie Nelson e Kris Kristofferson levaram, e ainda levam, a bandeira do outlaw contry com orgulho em suas apresentações.

Em sua biografia, Cash disse que a música country feita hoje não traz nenhuma essência verdadeira de como é viver no campo, é só imaginação dos artistas que querem parecer reais, mas que já nasceram com muito dinheiro e sem talento algum para fazer música de qualidade. Sincero, não?

Ah, Johnny Cash nunca foi preso, como vocês podem imaginar. A lenda faz parte da sua pose de mau!

Francine CostantiMusica
A música chamada “fora da lei” (outlaw para os americanos) viu nascer seu maior expoente neste dia, no ano de 1932. A pequena cidade de Kingsland, no Arkansas, foi a escolhida para assistir ao crescimento de John R. Cash, o mais famoso de seus cidadãos. O Homem de Preto era a...