Stase, órbitas extremas e experimentalismo roteirizado

Hoje acontece oficialmente o lançamento de Three Towers, segundo álbum da Stase. Entre as experimentações guitarrísticas surgem melodias, texturas, ambiências, distorções e harmonias construídas por uma base bem formatada pela cozinha da banda.

O lançamento é segundo da parceria entre a Howlin’ Records e a Sinewave, mostrando que as ações elaboradas para o Dia da Música desse ano tendem a ir além do cruzamento de palcos proposta no festival. Essa intersecção e descobertas proporcionadas pela junção de forças é um fator positivo no suporte mútuo entre os agentes de música subterrânea.

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Stase – Three Towers

No dia que recebi o link para audição do álbum, tive acesso também à essa notícia e a conexão entre a passagem do asteroide Oumuamua por nosso Sistema Solar e Three Towers foi automática. A correlação natural foi entre o formato e órbita do corpo celeste e as construções melódicas singulares da Stase.

Se existe um álbum que poderia servir de trilha sonora para o filme Interestelar, escolheria sem muitas dúvidas esse novo trampo da Stase. Claro que minha experiência com o álbum ainda é recente e até rasa, mas o teor resolutivo e emergencial, além da sensação contínua de abandonos e retornos remeteu aos sentimentos que tive ao assistir ao filme.

A necessidade de reconstrução é cíclica e continua, depende de esforços, questionamentos e constantes ajustes de rotas. Essas experimentações e improvisos estão interligadas ao conceito primal de resolução de problemas, e para a banda, o desafio era contemplar satisfatoriamente os próprios anseios conceituais de forma orgânica.

As variações e conversas entre os timbres de guitarra são as características mais marcantes e até soa preguiçoso e superficial falar disso, pois esse debate entre timbres é jogada na sua cara a cada compasso. O experimentalismo e o desenvolvimento de Three Towers carrega conceitos próprios roteirizados pela banda, porém mantendo livre a interpretação e percepção individual do ouvinte conforme citado pelo guitarrista Alexandre Evans:

“O que estamos pensando em fazer no pós lançamento é um vídeo falando sobre os timbres e ideias que tivemos ao longo das músicas. O nosso processo de composição é meio peculiar, pois sempre definimos um conceito é com um roteiro/história que todos imaginamos. E então criamos as músicas pra fazer meio que a “trilha” dessa história e encaixar no contexto que definimos. Mas claro, o legal é que a interpretação é livre e acaba tocando cada ouvinte de maneira diferente.”

São 10 músicas e aproximadamente quarenta minutos de uma viagem orbital, retive inicialmente a impressão de música contemplativa que exige mais uma atenção sensorial do que apenas auditiva. Ainda é recente, ouvi poucas vezes, merece mais cuidado para absorver detalhes mais complexos e encontrar fendas e encaixes mais abstratos.

Para quem está em São Paulo, hoje rola o show de apresentação do álbum na Associação Cultural Cecília. Veja aqui mais detalhes sobre o evento. Nos links abaixo estão as plataformas para audição do trampo da Stase:

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