Diário de um Detento

Uma das músicas mais emblemáticas de todos os tempos que inclusive alterou o modus operandi de rádios e da MTV surpreende pela simplicidade da produção. A bateria que é tão marcante (e marcada) é sampleada de Easin’ In de Edwin Starr, uma das estrelas da Motown. Ainda é utilizado esse pequeno gancho para as transições que é um sample de Mother’s Son do Curtis Mayfield, um dos meus guitarristas favoritos.

Periferia é Periferia (Em Qualquer Lugar)

Outra faixa em que o KL Jay não economizou nas referências e utilização de samples e colagens. A base do instrumental novamente é de uma faixa de Curtis Mayfield, Cannot Find a Way é utilizada de ponta a ponta.

E as colagens são o ponto alto dessa faixa, utilizando muitas referências de outros artistas do rap nacional, a composição contextualiza de maneira inegável que periferia é periferia em qualquer lugar.

Entre as músicas utilizadas estão esse trecho de Por Um Triz e este aqui de Brava Gente do Thaíde & DJ Hum.

O refrão é baseado em Brasilia Periferia do GOG e composto por colagens de Bem Vindo ao Inferno e Cada Um Por Si do Sistema Negro e Um Dependente do MRN.

Além dessas, KL Jay utilizou os samples de Homem Na Estrada e Fim de Semana no Parque dos próprios Racionais MC’s.

Qual Mentira Vou Acreditar?

Talvez minha faixa preferida do álbum e outra vez caprichada nos samples e colagens. Na movimentação do dial no início da música temos a colagem de Chegou A Hora do Boi Garantido (música que também era a trilha do comercial do óleo corporal Auê) e Vem Quente Que Eu Estou Fervendo do Barão Vermelho.

A base do instrumental é o sample de Hip Dip Skippedabeat do grupo clássico de soul Mtume. E ainda há a colagem da música Esquinas do Djavan no verso “Me chamar de meu preto e me cantar Djavan”.

Mágico de Oz

O storytelling poderoso de Edi Rock em uma faixa de mais de 8 minutos relatando a precariedade e invisibilidade dos usuários de crack tem a base instrumental sampleada de It’s Too Late do The Isley Brothers. Aqui novamente KL Jay utiliza um trecho de Homem na Estrada.

Fórmula Mágica da Paz

A penúltima faixa do álbum tem duas versões de sample, a original é Attitudes do The Bar Keys e a versão ao vivo de 2001 que utiliza como base instrumental o sample de Be Alright da banda norte-americana de funk Zapp.

Salve

Outra contradição nas fontes encontradas para a faixa de encerramento do álbum. Em alguns lugares encontrei a referência do sample de Glory Box do Portishead, porém também encontrei a referência de reutilização do sample de Ike’s Rap II do Isaac Hayes.

E como o Portishead sampleou Ike’s Rap II na música acima referida, vou considerar para o post a versão original de Isaac Hayes.

Essa semana é isso. Toda ajuda, correção ou comentário é bem vindo. Deixe também sugestões de álbuns para dissecarmos aqui na coluna!

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Diário de um Detento Uma das músicas mais emblemáticas de todos os tempos que inclusive alterou o modus operandi de rádios e da MTV surpreende pela simplicidade da produção. A bateria que é tão marcante (e marcada) é sampleada de Easin' In de Edwin Starr, uma das estrelas da Motown....