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Ditados Populares Errados que você sempre pensou estarem certos!

Muitas das supostas correções de ditados populare são mitos sem registro histórico com a forma popular costumando ser a correta. Confira a lista com a origem e o significado de 14 expressões populares que a internet diz estarem erradas.

Ditados Populares Errados que você sempre pensou estarem certos!

Uma das matérias com mais audiência no site é a nossa lista de significados dos ditados populares. Isso acontece porque essas frases são úteis quando queremos fazer uma metáfora ou resumir uma ideia em poucas palavras. Em geral, são de autoria desconhecida e circulam no imaginário popular há séculos e é aí que surgem as versões “originais” que viralizam na internet.

Você provavelmente já ouviu que passou a vida falando vários ditados populares errado. A boa notícia é que na maioria dos casos, quem está certo é você. Muitas dessas “versões originais” não têm nenhum registro histórico e foram inventadas depois, como explicações criativas.

Lista ditados populares que você entendeu errado

Se você dúvida que já falou muita coisa errada, confira logo abaixo diversas dessas expressões.

Quem tem boca vai a Roma

  • Correto pela internet: quem tem boca vaia Roma

Versão que circula é que o correto seria “quem tem boca vaia Roma”. Muita gente diz que o original seria “vaiar” a sede do Império Romano. Mas, segundo o Prof. Pasquale, a forma popular está praticamente correta: o ditado italiano é “Chi ha lingua va a Roma”, algo como “quem tem língua chega a Roma”. Ou seja, quem pergunta encontra o caminho.

Cuspido e escarrado

  • Correto pela internet: Esculpido em Carrara

Usamos a expressão para dizer que alguém é idêntico a outra pessoa, geralmente um filho parecido com o pai ou a mãe: “O menino é o pai cuspido e escarrado”. A versão “esculpido em Carrara” é bonita, porque evoca o mármore italiano de Carrara, usado por mestres como Michelangelo, mas não há nenhum registro dela antes da internet.

A forma popular é antiga e tem paralelo em outras línguas: em francês se diz “c’est son père tout craché” (“é o pai todo cuspido”). A imagem é de alguém tão parecido que parece ter saído da boca do outro. Ou seja, a versão “nojenta” é a verdadeira.

São ossos do ofício

  • Original: são ócios do ofício

O ditado lembra que todo trabalho tem partes duras, chatas ou ingratas que não dá para evitar, como o osso que vem junto com a carne. Diz-se, por exemplo, de um jornalista que precisa trabalhar no Natal ou de um médico que dá plantão de madrugada. A versão “ócios” inverte o sentido, falando de descanso e benefícios, e não tem registro histórico. Ou seja, o ditado fala dos ossos, não das folgas.

Batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão

  • Original: batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.

O verso é de uma quadrinha infantil muito conhecida: “Batatinha quando nasce / se esparrama pelo chão / menininha quando dorme / põe a mão no coração”. A tese da “rama” parece lógica, já que o pé de batata realmente espalha ramas, mas o ritmo desmente.

A quadrinha segue a redondilha maior, com sete sílabas poéticas por verso. Em “se esparrama”, o “se” e o “es” se juntam na fala (“ses-pa-rra-ma-pe-lo-chão”), e o verso fecha em sete. “Es-pa-lha a ra-ma-pe-lo-chão” tem oito e não cabe na melodia. Ou seja, é a batatinha inteira que se esparrama, e a versão popular está certa novamente.

Quem não tem cão, caça com gato

  • Original: caça como gato.

O ditado fala de improviso: na falta do recurso ideal, a gente se vira com o que tem à mão. Serve para quem troca a furadeira por um martelo e um prego, ou o carro pelo ônibus.

A versão “caça como gato”, que imitaria o jeito sorrateiro e solitário do felino, não aparece em registros antigos. Ou seja, sem o cão, qualquer ajuda serve, inclusive a do gato.

Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro

  • Original: esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro

A expressão descreve crianças, ou adultos, que não conseguem ficar paradas. Bicho-carpinteiro é o nome popular de insetos que vivem roendo madeira, como cupins e carunchos, e nunca param de trabalhar. A comparação é com esse movimento incessante.

A versão “corpo inteiro” parece fazer mais sentido hoje, porque pouca gente conhece o inseto, mas não tem registro. Ou seja, a criança se mexe tanto quanto um bicho que rói madeira.

Cor de burro quando foge

  • Original: corro de burro, quando foge.

Usamos a expressão para uma cor indefinida, estranha ou difícil de descrever: “O sofá era de uma cor de burro quando foge”. A graça está justamente no absurdo: ninguém sabe que cor seria essa.

A versão “corro de burro”, que falaria do estrago de um burro em disparada, é explicação inventada e sem registro. Ou seja, é uma brincadeira sobre cores sem nome.

Enfiou o pé na jaca

  • Original: enfiou o pé no jacá.

Aqui a outra versão é plausível. Jacás eram cestos de taquara trançada em que os armazéns e bares expunham mercadorias na porta. Quem saía cambaleando de tanto beber não desviava e acabava enfiando o pé no cesto.

Mesmo assim, não há prova de que essa seja a origem. Ou seja, é uma das hipóteses mais aceitas, mas não uma certeza.

Hoje é domingo, pé de cachimbo

  • Original: hoje é domingo, pede cachimbo

O verso abre uma cantiga infantil de rimas encadeadas: “Hoje é domingo, pé de cachimbo / o cachimbo é de barro, bate no jarro…”. Cada verso puxa o seguinte pela rima, sem compromisso com o sentido.

A versão “pede cachimbo” tenta dar lógica ao verso, associando o domingo ao descanso com o cachimbo, mas não tem registro. Ou seja, é jogo de rima de criança, não uma frase para ser entendida ao pé da letra.

Cada um com seu cada um

  • Original: Cada um com seu cada qual.

A expressão defende que cada pessoa cuide da própria vida e respeite as escolhas alheias: gostos, relacionamentos, problemas. As duas formas circulam no Brasil, e não há registro que indique qual veio primeiro. Ou seja, as duas versões valem e querem dizer a mesma coisa.

Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé

  • Original: Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha

Neste caso, a forma popular inverteu de fato a frase. Ela aparece nos Ensaios de Francis Bacon (1625). Maomé promete ao povo que fará uma montanha vir até ele. Como ela não se move, ele diz, sem se abalar, que então irá até a montanha.

A história não está nos textos islâmicos tradicionais. O sentido original é de adaptação: se a situação não muda, mude você. Na versão invertida, que é a mais usada no Brasil, o sentido mudou para “se você não vem até mim, eu vou até você”.

Quem pariu Mateus que balance

  • Original: Quem pariu os maus teus que balance

O ditado diz que cada um deve assumir a responsabilidade pelo que criou ou causou. A imagem é a de uma mãe que precisa ninar o próprio bebê. Diz-se, por exemplo, a quem cria um problema e espera que outra pessoa o resolva. A

versão “os maus teus” nem faz sentido gramatical e não tem registro. Ou seja, quem cria o problema que cuide dele.

Quando você casar, eu danço

  • Original: Quando você casar, eu danço

A expressão é irônica e indica descrença de que algo vá acontecer. Não tem a ver só com casamento: “Você vai começar a dieta na segunda? Quando você casar, eu danço”.

O acontecimento parece tão improvável que a pessoa promete até fazer algo fora da rotina, como dançar. Ou seja, é um jeito bem-humorado de dizer “duvido”.

Quando você casar, o marido é seu

  • Original: Quando você casar, o marido é seu

Aqui o erro não está na forma de falar, mas no seu entendimento. O ditado “Quando você casar, o marido é seu” não tem nada haver com fidelidade, mas é apenas uma expressão um pouco engraçada para expressar gratidão ou reconhecimento por algo que alguém fez por você, mas sem  um sentido mais profundo.

Os ditados estão realmente errados?

Ditados populares que falamos errado? #pablojamilk

Você pode ter percebido que usei a expressão “ditado original” e não “ditado correto”. Fiz isso de maneira proposital, porque acredito realmente que não exista um ditado correto. No vídeo acima, Pablo Jamilk, professor de português, explica o motivo disso.

Quais são os ditados populares mais falados no Brasil?

Ditados populares são muito comuns em todo o Brasil, mas existem aqueles que são os ditados realmente populares. Veja no infográfico abaixo, da Preply, quais são os ditados populares mais falados no Brasil.

Lista dos ditados populares mais falados no Brasil abaixo:

  1. O barato sai caro.
  2. A mentira tem perna curta.
  3. A esperança é a ultima que morre.
  4. Antes tarde do que nunca.
  5. Quem não tem cão caça como gato.
  6. O que os olhos não veem, o coração não sente.
  7. Para bom entendedor, meia palavra basta.
  8. A pressa é inimga da perfeição.
  9. Quem ri por último, ri melhor.
  10. De grão em grão, a galinha enche o papo.

E aí, quantos ditados dessa lista você usou diferente do original durante a vida toda? Se você sentiu falta de alguma expressão, basta deixar seu comentário e vamos explicar para você!

Tags: Curiosidades
Leonardo Cruz

Escrito por

Leonardo Cruz

Especialista em criar aquilo que um dia você vai procurar no Google. Fã de Filmes, Séries e Animes, escreve diariamente no Deveserisso.

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※ Debate dos leitores

4 comentários

  1. ANDRE SIMONI

    Nunca entendi agradecer com:
    Quando você casar eu danço.
    Qual é o certo?

  2. Ju

    Ossos do ofício está correta. Fala das desvantagens de um determinado trabalho, ocios do ofício é um trocadilho criado com a expressão original pra falar das “vantagens” de um trabalho.

  3. Jose Carlos Souza e Silva

    vão me desculpar, mas vocês também erraram : Quem tem boca vai a rumo, quer dizer se você não tem o endereço, mas tem boca, você pergunta que você chegará. Entenderam?

  4. Adeide

    Tem esse também

    Suado e vomitando

    E o certo é

    Subaco e subaquera

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