No mesmo ano em que Jurassic Park virou febre mundial, Steven Spielberg dirigiu a edição desse blockbuster enquanto rodava em Cracóvia um filme que seguia na direção oposta. A Lista de Schindler merece a fama que tem, porque o diretor deixa de lado o encantamento das suas aventuras e encara a história de Oskar Schindler com olhar duro. Liam Neeson vive o empresário alemão que, durante a guerra, vê na mão de obra judia um jeito barato de lucrar com a fábrica que abre.
A base é o romance Schindler’s Ark, de Thomas Keneally, publicado em 1982, e Steven Zaillian assina o roteiro adaptado. Esse material pesa porque trata de um homem que nunca vira santo de cartaz, e Ben Kingsley e Ralph Fiennes cercam Neeson com personagens que tornam a história ainda mais concreta. Tudo isso se apoia em fatos reais sobre o homem que salvou mais de mil judeus durante o Holocausto.
Sinopse
“A Lista de Schindler” inicia-se em 1939, com a invasão da Polônia pelas forças nazistas e a subsequente criação do Gueto de Cracóvia, onde milhares de judeus foram confinados sob condições desumanas. Neste cenário sombrio, surge Oskar Schindler, um oportunista empresário alemão que inicialmente busca lucrar com a guerra. Schindler, interpretado por Liam Neeson, é um membro do Partido Nazista que usa sua influência para estabelecer uma fábrica de utensílios de cozinha, empregando judeus como mão de obra barata.
Trailer
Onde assistir
Em consulta de 3 de novembro de 2026, o filme aparece no Brasil por assinatura no Telecine.
Para aluguel, as opções são Claro video, Apple TV Store e Amazon Video. Para compra, Apple TV Store e Amazon Video. A classificação indicativa é de 14 anos.
Vale a pena assistir?
A Lista de Schindler agradou a maior parte da crítica, e o elogio vem de vários lados. Parte dos críticos destaca o preto e branco e o impacto emocional, enquanto outra parte reclama do sentimentalismo na despedida do protagonista. Na minha visão, o filme merece o elogio que recebe, porque quase tudo nele aponta na mesma direção. A única objeção que me parece séria fica para o final.
A imagem em preto e branco de Janusz Kamiński tira qualquer brilho de cartão-postal da Cracóvia ocupada, e a câmera na mão aproxima a gente das cenas de violência, que a crítica descreve como perturbadoras e realistas. Na liquidação do gueto, que dura quinze minutos seguidos, o espectador fica sem lugar seguro para olhar. O filme levou o Oscar de fotografia, e a escolha de Kamiński ajuda a explicar por quê.
Liam Neeson mostra a mudança de Schindler aos poucos, de homem interessado em lucro a alguém que arrisca tudo, e essa virada gradual é o que prende durante as três horas e meia de duração. Ralph Fiennes engordou 12 kg para viver Amon Göth e assusta por contraste com Ben Kingsley, que dá a Itzhak Stern uma presença calma. A crítica elogia os três, e o elogio faz sentido porque cada um tem uma função clara na história.
A música ajuda a manter esse tom. John Williams compôs a partitura e Itzhak Perlman toca o tema principal no violino, uma trilha ajustada ao que a imagem mostra, como a maioria da crítica aponta. Spielberg recusou qualquer salário pelo filme, e o resultado na tela parece de quem não queria lucrar com o assunto.
O final divide a crítica, e me incomodou um pouco a despedida de Schindler, que troca a secura do resto por emoção declarada demais. Esse exagero, porém, pesa pouco diante de um filme que evita a saída fácil do heroísmo e da lição de moral. Eu fico com o lado dos elogios, e A Lista de Schindler vale muito a pena. O filme é pesado por tratar de violência e perseguição, e serve bem a quem precisa entender o Holocausto por uma história real, como numa tarefa escolar.
Elenco
Elenco
Liam Neeson
Oskar Schindler
Ben Kingsley
Itzhak Stern
Ralph Fiennes
Amon Goeth
Caroline Goodall
Emilie Schindler
Jonathan Sagall
Poldek Pfefferberg
Embeth Davidtz
Helen Hirsch
Malgorzata Gebel
Viktoria Klonowska
שמוליק לוי
Wilek Chilowicz
Equipe
Equipe
Steven Spielberg
Diretor
Steven Zaillian
Roteiro
Gerald R. Molen
Produtor
Branko Lustig
Produtor
Steven Spielberg
Produtor
Thomas Keneally
Romance original
Festivais e prêmios
O filme foi indicado a doze Oscars e venceu sete, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Direção de Arte, Montagem e Trilha Sonora. Ganhou também 3 Globos de Ouro e 7 BAFTAs, e foi o grande vencedor da cerimônia de 1993. Em 2004, foi selecionado para preservação no Registro Nacional de Filmes dos Estados Unidos.
Bastidores e números
- Orçamento e bilheteria: custou US$ 22,0 milhões e arrecadou US$ 321,4 milhões no mundo.
- Equipe técnica: fotografia de Janusz Kamiński; montagem de Michael Kahn; figurino de Anna B. Sheppard; trilha sonora de John Williams; direção de arte de Allan Starski.
- Onde foi filmado: Cracóvia.
- Baseado em: Schindler’s Ark.
- Prêmios e indicações: Óscar de melhor filme, Óscar de melhor realizador, Óscar de melhor argumento adaptado, Óscar de melhor fotografia, lista de filmes premiados com o BAFTA de melhor filme, Oscar de melhor direção de arte, Óscar de melhor montagem, Óscar de melhor banda sonora.
- Produção: Estados Unidos, pela Amblin Entertainment.
- Classificação indicativa no Brasil: 14 anos.
Filmes parecidos
Estes filmes tratam do mesmo período e de temas próximos, como perseguição e sobrevivência durante a Segunda Guerra Mundial.
- Filhos da Guerra (The Courageous Heart of Irena Sendler, 2009) acompanha irmãos judeus que se escondem em uma floresta e abrigam outros refugiados durante a guerra.
- Conspiração (Conspiracy, 2001) reconstitui a reunião em que oficiais nazistas discutem o extermínio dos judeus.
- Resistência (Resistance, 2020) mostra Marcel Marceau ajudando crianças judias na França ocupada.
- Cinzas da Guerra (The Grey Zone, 2001) retrata prisioneiros judeus forçados a trabalhar nos crematórios de Auschwitz.
Curiosidades
- Prêmios: National Board of Review: Top Ten Films.
- Bilheteria mundial: US$ 321.365.567.
- Orçamento: US$ 22.000.000.
- Liam Neeson (elenco neste filme) também está no elenco de Star Wars: A Ascensão Skywalker, e Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma.
- Recebeu Oscar de melhor montagem, prêmio que Falcão Negro em Perigo também ganhou.
Perguntas frequentes
A história de A Lista de Schindler é real?
Sim. O filme é baseado em fatos reais sobre Oskar Schindler, o empresário alemão que salvou mais de mil judeus durante o Holocausto. A adaptação parte do romance Schindler's Ark, de Thomas Keneally, publicado em 1982.
Por que A Lista de Schindler é em preto e branco?
O filme foi fotografado quase inteiramente em preto e branco por Janusz Kamiński. A crítica vê nessa escolha uma atmosfera melancólica que combina com o tema, e o resultado rendeu ao filme o Oscar de fotografia.
Como termina A Lista de Schindler?
O desfecho gira em torno da despedida do protagonista e divide a crítica, sem que eu revele o que acontece. Parte dos críticos elogia o final pela carga emocional, e outra parte considera a cena sentimental demais para o tom do resto do filme.
Do que trata A Lista de Schindler?
O filme acompanha Oskar Schindler, empresário alemão que usa mão de obra judia para lucrar durante a guerra. Aos poucos, ele passa a proteger seus trabalhadores em plena perseguição nazista e acaba salvando mais de mil pessoas.
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