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Margarita com Canudinho vale a pena assistir? Veja nossa crítica!

Uma jovem com paralisia cerebral vai para Nova York e descobre que também pode desejar, se apaixonar e errar, sem que o filme peça desculpas por isso. Kalki Koechlin entrega uma das atuações mais corajosas do cinema indiano recente, e o resultado incomoda quem está acostumado a ver deficiência só como drama de superação.

Margarita com Canudinho vale a pena assistir? Veja nossa crítica!

Margarita com Canudinho é um drama indiano de 2015 que acompanha Laila, jovem com paralisia cerebral, em sua jornada entre Delhi e Nova York. Descrevê-lo assim, porém, já diminui o que o filme faz: ele recusa o roteiro da superação inspiracional e coloca no centro algo que o cinema raramente concede a personagens com deficiência, o direito de querer.

Representatividade ainda é frequentemente confundida com presença física na tela: um rosto diferente no elenco, uma cadeira de rodas no pôster. Margarita com Canudinho vai mais longe. Laila é sexualmente ativa, politicamente inconveniente e emocionalmente complexa, e não existe para ensinar ninguém.

O que torna o filme ainda mais denso é a origem do roteiro. Shonali Bose escreveu a história a partir da vida de sua prima Malini Chib, que tem paralisia cerebral e é autora do livro One Little Finger. Isso muda a natureza de tudo: não é um olhar de fora tentando imaginar, é alguém que conhece.

Trailer

Margarita com canudinho

Vale a pena assistir?

Margarita com Canudinho vale pelo que se recusa a fazer. O roteiro tinha à disposição todos os atalhos do gênero, a superação, a lição de vida, a deficiência como metáfora de resiliência, e ignora todos eles.

  • Laila tem raiva, ciúme e desejo sexual explícito
  • Ela se apaixona por uma mulher, e o filme não trata isso como complicação extra na trama
  • A paralisia cerebral afeta sua fala e mobilidade, mas o roteiro nunca usa isso como punchline nem como drama fácil

É essa recusa ao melodrama que separa o filme de tantas produções bem-intencionadas que ainda tratam deficiência como narrativa de perda.

A atuação de Kalki Koechlin sustenta essa proposta. A atriz passou meses com Malini Chib para entender a fisicalidade da paralisia cerebral: os padrões de fala, as respostas do corpo, o esforço que vai além do que a câmera capta.

Koechlin não imita, habita. As cenas mais fortes do filme são as silenciosas, um olhar ou uma frustração contida que a direção de Shonali Bose deixa respirar em planos longos, sem cortar para proteger o espectador.

Essa confiança na cena tem origem biográfica. Bose não chegou ao projeto como diretora contratada: cresceu ao lado de Malini Chib e levou anos desenvolvendo o roteiro para garantir que ela tivesse voz ativa no processo. Malini aparece no filme como consultora e também em uma participação especial.

A produção independente deu a Bose liberdade para manter cenas que um estúdio provavelmente cortaria. Esse é o ritmo do filme: não tenta agradar, tenta ser honesto.

Se você busca uma personagem com deficiência que existe além da função simbólica, e uma atuação que raramente circula pelos holofotes do circuito ocidental de premiações, este é o motivo para assistir.

Festivais, prêmios e o reconhecimento que veio de fora

O filme estreou internacionalmente no Festival de Toronto, em 8 de setembro de 2014, onde recebeu o Prêmio NETPAC, dado à melhor produção asiática do festival. O lançamento comercial na Índia veio depois, em abril de 2015.

Margarita com Canudinho também passou pelo Festival de Tallinn, na Estônia, e pelo Festival de Vesoul de Cinema Asiático, na França, acumulando prêmios nos três.

  • Toronto é o festival mais estratégico para filmes que buscam distribuição internacional, e o Prêmio NETPAC sinalizou que Margarita tinha ambição além do mercado de Bollywood
  • Vesoul é especializado em cinema asiático e tem histórico de revelar produções que o circuito mainstream ignora
  • O reconhecimento em Tallinn ampliou a visibilidade europeia do filme

Onde assistir

A disponibilidade de Margarita com Canudinho no Brasil não está confirmada em nenhuma plataforma ativa no momento. O JustWatch, que rastreia mais de 1.500 serviços, não lista o filme para streaming no país.

  • Em 2018, foi a última vez que tivemos registros da disponibilidade na Netflix Brasil
  • A opção mais segura: buscar diretamente no catálogo da Netflix Brasil, Apple TV e Google Play antes de concluir que não está disponível

Em que listas esse filme está? 

Todos os nossos filmes são segmentados em listas e esse filme especificamente está na categoria Filmes para Chorar.

Perguntas Frequentes

Margarita com Canudinho é baseado em história real?

Sim. A diretora Shonali Bose escreveu o roteiro inspirada na vida de sua prima Malini Chib, que tem paralisia cerebral e é autora do livro One Little Finger. Malini participou ativamente do desenvolvimento do projeto e aparece no filme em uma participação especial.

O filme tem audiodescrição ou recursos de acessibilidade?

Não há confirmação de audiodescrição ou legendas em LIBRAS nas versões disponíveis para o mercado brasileiro. Caso o filme retorne a alguma plataforma de streaming no Brasil, vale verificar as configurações de acessibilidade diretamente no serviço.

Qual é a classificação etária de Margarita com Canudinho?

O filme aborda sexualidade de forma explícita e direta, sem eufemismos. Não há classificação indicativa oficial confirmada para o mercado brasileiro; o conteúdo é voltado para público adulto.

Margarita com Canudinho é um filme ou uma bebida?

É um filme, mas o título é uma referência ao coquetel Margarita servido com canudinho, que no contexto do roteiro representa a autonomia de Laila: a capacidade de beber o que quer, do jeito que consegue, sem que isso precise ser explicado ou justificado para ninguém.

Dados Técnicos

  • Nome: Margarita com Canudinho
  • Data de lançamento: 17/04/2015 (estreia comercial na Índia; estreia mundial em Toronto em 08/09/2014)
  • Sinopse: Laila (Kalki Koechlin) é uma jovem indiana que tem paralisia cerebral. Ao lado de sua mãe (Revathy), ela deixa seu país para estudar na Universidade de Nova York, onde aproveita a oportunidade para exercitar sua independência. Sem fé no amor após ter sido rejeitada por um colega, ela conhece uma jovem ativista (Sayani Gupta) em Manhattan e embarca em uma jornada de descobertas.
  • Diretor: Shonali Bose e Nilesh Maniyar (codiretor)
  • Elenco: Kalki Koechlin, Revathi, Sayani Gupta, Kuljeet Singh
  • Duração: 1h40min
  • Nota IMDb: 7.2/10 de 3272 usuários

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Tags: Dicas de filmes
Leonardo Cruz

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Leonardo Cruz

Especialista em criar aquilo que um dia você vai procurar no Google. Fã de Filmes, Séries e Animes, escreve diariamente no Deveserisso.

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※ Debate dos leitores

4 comentários

  1. Ana cristina

    Uma pena não conseguir achar esse filme em nenhum lugar, porque quero indicar para uma amiga. Você sabe onde posso ver?

  2. Leonardo Cruz Autor

    Oi, Ana, tudo bem? Infelizmente, desde que saiu da Netflix, não existe nenhuma plataforma de Streaming disponível no Brasil para asssitir esse filme. Espero que isso mude em breve.

  3. Giovana nascimento

    O texto até tenta, mas peca muito pela falta de interseccionalidade e leitura de mundo. A galera foca só no fato da Laila ter uma deficiência e esquece dos outros atravessamentos dela. Ela não é um corpo abstrato buscando independência, pois existe um recorte de classe e cultura muito forte que o autor simplesmente ignorou. Estamos falando de uma mulher do sul global presa na dinâmica de uma família indiana de classe média. Nesse recorte o capacitismo se mistura com o machismo estrutural de um jeito bem perverso. A sociedade espera o apagamento social total dessa mulher e que ela seja apenas um objeto de cuidado passivo.

    Quando a Laila reivindica o próprio corpo e o direito ao desejo, ela não está fazendo uma ceninha. Ela está desmantelando duas estruturas opressoras simultâneas. Omitir isso na crítica é um baita desserviço. Sem mastigar esse contexto, o público brasileiro vai assistir com a nossa lente, esvaziar a pauta do filme e achar que as cenas são simples quando a complexidade política ali é gigante.

  4. Leonardo Cruz Autor

    Excelente complemento, Giovana. A proposta original do texto foi focar na recusa do filme aos clichês de roteiro, mas você tem toda a razão ao trazer esse recorte de classe e cultura. A quebra dessa dupla opressão é mesmo o coração do filme. Seu comentário expande muito bem essa camada. Obrigado por enriquecer a discussão.

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