Cristo Bomba, a banda mais perigosa do Brasil

Ainda lembro do primeiro registro que recebi do Cristo Bomba. Há uns sete anos, um áudio captado de um ensaio chegou pra mim pelo finado MSN. Ainda era segredo absoluto e tive que esperar algum tempo para confirmar a impressão que tive desde aquele dia.

Aquela era uma banda pra acompanhar de perto e estar atento a cada novo movimento. Principalmente pelo fato de  reunir os melhores maus elementos da cena punk paulistana. Mesmo mudando de formação com o passar do tempo, a característica de terroristas foi mantida.

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Após algumas mudanças nas cordas, desde 2013 o quarteto segue com Sandrox, Phil, Adriano e Levi aterrorizando cada lugar em que se apresentam. E é em qualquer lugar mesmo, pois o Cristo Bomba já mostrou que não precisa de palco mandar sua ideias, que não são poucas.

A hora certa para o ataque do Cristo Bomba

Para desespero de qualquer cristão, nasceu em meados de 2013 ‘A Diferença Entre Linces e Lobos’. O álbum de estreia do Cristo Bomba é avassalador. Recheado de críticas aos dogmas religiosos e questionamentos acerca da fragilidade estrutural de nossa sociedade.

Apesar de encaixar perfeitamente, os trechos do diário de Rorschach inseridos durante o disco não foram utilizados como referência para as letras das músicas. Pelo menos aquele desgraça de filme que fizeram de Watchman, serviu para alguma coisa boa.

Devido às mudanças de formação, o disco é uma miscelânea de influências de todos os integrantes que passaram pela banda nesse período. E mesmo com tantas ideias diferentes, o trabalho não soou como uma colagem. A coesão e força tanto das letras, quanto do instrumental, é a principal característica desse disco.

A repercussão do disco e das apresentações incendiárias fizeram o Cristo Bomba ser convidado a participar de eventos gigantes. E um deles em especial destacou o espírito punk que a banda carrega.

Ao serem retirados do lineup de um dos shows da turnê do OFF!, a banda resolver fazer sua apresentação na rua. Em frente ao Hangar 110, próximo ao horário de encerramento da casa. Isso não era novidade, pois já haviam participado do palco TEST na Virada Cultural de São Paulo. Na primeira edição do palco, todo o processo foi feito sem apoio da prefeitura, uma versão alternativa do evento oficial.

Ocupar, resistir e infestar!

Após esse evento, a verve política da banda pareceu ficar cada dia mais presente em sua postura e musicalmente também. O Cristo Bomba foi uma das bandas mais ativas durante as ocupações escolares por parte dos estudantes em 2015.

Em paralelo a essa movimentação, a banda fez alguns shows contando com a participação de Ariel Invasor, célebre figura da cena punk nacional. Reforçando a imagem de representação da juventude periférica urbana que carregam em sua essência.

Com o lançamento do EP ‘Billy’, a sonoridade mais agressiva e a temática de letras mais explosivas evidenciou o novo rumo da banda. O Cristo Bomba não poupa ninguém em suas críticas sobre a manipulação estatal e midiática.

Esta semana lançam mais um EP e como disseram no texto de apresentação de ‘Tripalium’, são “influenciados e sobreviventes da auto gestão. Criamos as músicas deste EP asfixiados pelas situações em que temos que nos submeter para garantir a sobrevivência do dia a dia.”

A produção ficou por conta dos irmãos Luca e Davide Bori, de maneira totalmente LO FI no Estúdio VDO. A mix e master são de Alexandre Capilé e Gabriel Zander, no Estúdio Costella e a finalização por Tiago Mago. O EP ainda conta com a participação do Tranka Garcia fazendo coros e Fabio Trummer declamando o interlúdio da obra.

“Tipalium apresenta músicas que falam sobre o quão degradante você ser um escravo do sistema pode ser.”

Lançamento do EP Tripalium – Cristo Bomba

O lançamento do EP ocorre na quinta-feira (03/08) no Morpheus Club em São Paulo. Além do Cristo Bomba, O Inimigo e Acruz Sesper Trio também se apresentam. 

Serviço:

          Dieguito Reis & Luca Bori (Vivendo do Ócio)

03/08 – Quinta – Feira – 19HS
Entrada: R$10:00

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