Filmes Gays e a Mentira do Felizes Para Sempre

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Todo mundo adora um romance. Ele costumeiramente está inserido em filmes, novelas, desenhos, séries e livros. Mesmo em filmes de ação, ele está lá, com o protagonista bonitão que sai batendo nos bandidos para salvar sua amada. E embora isso possa ser uma surpresa para muitas pessoas, os LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) também amam. Hollywood ainda teima em não criar filmes com personagens LGBTs no núcleo principal, o que é uma besteira. Por isso, a maioria dos filmes com protagonistas Gays são exclusivamente feitos para esse público. Mas há um problema a ser levado em consideração.

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Não estou criticando o fato de haver filmes feitos especialmente para esse público. Acho a ideia muito válida, e uma iniciativa importante na questão da representatividade. Se Hollywood fosse uma pessoa, seria um homem, hétero, branco, loiro e dos olhos claros. Então, enquanto eles não aprendem que um Gay pode ser O Herói de guerra, que uma lésbica pode ser A Cientista que descobre a viagem no tempo, que um Transgênero pode ser O policial que mata o Serial Killer ou A Salvadora do Planeta, nós temos os romances LGBT que são uma forma de inserir essas pessoas na mídia televisiva.

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A questão é o famoso estereotipo. Se de um lado temos filmes onde todos são brancos e héteros, aqui temos um excesso de drama e histórias exageradas. É muito comum os filmes gays abordarem o inicio da descoberta da sexualidade, os conflitos internos, os dramas familiares e a aceitação. Mas há um certo costume em se apresentar isso tudo de forma excessivamente dramática e estereotipada. Os personagens são parecidos fisicamente, sendo geralmente brancos, magros, adolescentes, bonitos e nunca afeminados. Ainda por cima, se apaixonam por “héteros”, que acabam descobrindo que também são Gays e da tudo certo. Tudo isso é muito lindo, mas passa bem longe da realidade.

Na vida real, (ainda mais no Brasil que é um país multicultural) há Gays de diversas etnias, o que significa que esse padrão de aparência não condiz com o que vemos. Nem todos descobrem sua sexualidade na adolescência. Muitas pessoas descobrem isso quando estão entrando na fase adulta, outros descobrem quando estão bem mais velhos, e alguns percebem isso desde que são crianças. Não há um padrão. E quantos gays já se apaixonaram por héteros e apenas ficaram de coração partido por não terem sido correspondidos (eu haha).

Os filmes têm tendência a exagerarem na hora de apresentar um personagem Gay. Ou o personagem é extremamente heteronormativo, sem trejeitos ou característica alguma que possa indicar que ele é homossexual, sendo bem masculino, ou é um personagem caricato, com trejeitos em excesso, afeminado ao extremo, com roupas brilhantes e exalando purpurina. Não encontraram um meio termo ainda.

“Mas é ficção, o objetivo é fugir da realidade…”

Eu concordo que ficção não precisa ser um reflexo do mundo real. Assistimos filmes e lemos livros porque queremos fugir da realidade, queremos explorar novos mundos. Mas ao produzir um filme de romance LGBT, os produtores precisam ter em mente que o público precisa se sentir representado naquilo que estão assistindo, se não esse tipo de filme deixa de fazer sentido.

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Para alguns, falarmos sobre isso é problematizar. Mas é importante entendermos que a vida não é um conto de fadas para quem é LGBT. Vivenciamos momentos ótimos, mas por causa do preconceito, enfrentamos desafios que as pessoas normalmente não vêem ou não entendem. Além disso, ainda temos que lidar com a promiscuidade no meio gay, principalmente em cidades grandes, onde há uma quantidade maior de LGBTs. Por conta de tudo isso, ter um relacionamento real e duradouro nesse meio é um desafio e tanto.

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Tenho meus filmes LGBT favoritos, como Orações para Bobby, Tempestade de Verão, De repente Califórnia e o brasileiro Hoje eu quero voltar sozinho. Mas eles seguem a fórmula dita no começo do artigo, Jovens, Brancos, Se apaixonam por um “hétero”, são correspondidos e tudo termina bem. Quando vi o trailer de Sobre Nós, primeiro longa metragem da Maca Entretenimento, decidi escrever sobre isso. Assistirei ao filme com muito orgulho, porque sempre é digno de nota o esforço feito para tentar representar a nossa realidade. Mas o filme também contém elementos da fórmula “Conto de Fada LGBT”.

Dirigido por Mauro Carvalho e Thiago Cazado, o filme foca no passado dos personagens, como se fosse uma lembrança. A história acontece em Brasília e aborda o amor entre um casal gay que já passou pela fase de descoberta pessoal e agora tenta viver junto lidando com os dilemas. A fotografia e trilha do filme também chamam atenção por ser uma produção independente feita com verba própria.

Pessoalmente, eu adorei saber que há mais uma produção brasileira LGBT. Mas ainda estamos aprendendo a produzir filmes do gênero, e as pessoas precisam saber que ser gay não é viver um conto de fadas onde tudo da certo, onde o amor da sua vida aparece assim que começam seus conflitos internos, e que gays podem ser tanto afeminados quanto discretos.

Continuo aguardando Hollywood deixar de ser hétero e começar a produzir filmes onde personagens LGBT tenham seu espaço tanto quando os outros. Enquanto isso não acontece, ficamos com nossos contos de Fada.

Se é fã de Netflix e gostaria de saber o que há de melhor no catálogo confira esta lista aqui. Chega de ficar horas procurando algum filme interessante e acabar vendo mais um episódio de alguma série!

2 comentários sobre “Filmes Gays e a Mentira do Felizes Para Sempre

  1. Eu adorei o texto, sofro muito com esse tipo de esteriótipo em filmes gays porque eu mesmo sou trans e gay, então se eu tiver visto um filme que me representa bem é demais, e ainda o vi em qualidade péssima, por que esse tipo de filme não chega ao grande público. Eu só gostaria de criticar que, apesar do Brasil ter poucos filmes gays, na verdade tem poucos filmes no geral, nós temos um jeito muito mais interessante de criar filmes gays(sim, eu estou usando gay porque nunca vi um filme com trans, com pan, com lésbica, etc, então ainda tem muito a seguir), nós mostramos a realidade, mas sem acabar sempre em uma tragédia terrível, que muitas vezes sequer faz sentido. Hoje eu quero voltar sozinho(com o bônus que o protagonista é cego, o que é ótimo), Do começo ao fim, que acredito ser um ótimo filme, que lida com uma situação ainda mais problemática que romance gay, vai sair esse novo agora, que eu, espero, que tenha alguma minoria, sei que são poucos, mas prefiro que seja pouco e de qualidade, do que ficar jorrando filmes como os Estados Unidos fazem e eles serem ridículos e ofensivos.
    Parabéns pelo texto. 😉

    1. Oi David! Muito obrigado pelo seu comentário.. realmente, ainda temos muito que avançar em termos de produções de filmes LGBT. Filmes gays já são poucos, e de qualidade são menos ainda. Filmes Trans eu não me lembro de ter visto nenhum, mas deve ter alguns de qualidade. De qualquer forma, precisamos de mais filmes representativos! Não apenas filmes feitos pra esse público, mas as produções do geral precisam incluir os LGBTs em seu núcleo de personagens!

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