Crítica do filme Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa


Por Clids Ursulino

O ano era 2016. A Marvel ampliava o seu universo cinematográfico com filmes como Capitão América: Guerra Civil e Doutor Estranho, ambos de qualidade questionável, mas que, juntos, faturaram quase 2 bi de dólares. A liderança estava mais do que segura e o início da fase 3 era um sucesso absoluto para a produtora.

Do outro lado, a DC continuava sua saga nas telonas. Depois de um início no mínimo turbulento, a aposta da produtora para 2016 foi o infame Esquadrão Suicida, que também seria nosso primeiro contato com a personagem principal do filme título dessa matéria.

Como todos nós já sabemos, Esquadrão Suicida ditou o padrão do que não deveria ser feito nos filmes seguintes e, por mais dura que tenha sido a lição, ela não foi muito bem absorvida. Já que recebemos Liga da Justiça (e o polêmico desaparecimento do bigode de Henry Cavill) no ano seguinte.

Contudo, desde então, a DC vem tentando se encontrar. Bateram na trave em Mulher Maravilha e Aquaman e acharam o tom certo em Shazam!, mesmo não tendo sido tudo que poderia ser. Melhores momentos estavam chegando e Aves de Rapina tinha a árdua missão de pegar o melhor, esquecer o pior e finalmente, entregar um filme para agradar fãs e críticos.

Se a ideia era abrir um novo caminho, a DC conseguiu


Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa conta a história de Harleen Quinzel (Margot Robbie) pós termino com o Sr. C, como a personagem costuma chamar o Coringa (Jared Leto, não Joaquin Phoenix). Sua história cruza com Cassandra Cain (Ella Jay Basco), uma jovem que está sendo caçada pelo novo rei do crime de Gotham, Roman Sionis, o Máscara Negra (interpretado por Ewan McGregor) e seu braço direito, Victor Zsasz (Chris Messina), vilão que é bem conhecido dos fãs de Batman. Especialmente os que jogaram os jogos do Cavaleiro das Trevas nas últimas gerações de consoles.

Aves de Rapina, tomando uma rota totalmente oposta à do seu “antecessor espiritual” Esquadrão Suicida, vai entregando diversos personagens enquanto o filme se desenvolve bem na frente dos nossos olhos. Mas entrega com mais “responsabilidade”, explorando mais suas motivações e objetivos, dando mais profundidade e deixando possibilidades a serem aproveitadas em filmes futuros.

O que já é um ponto positivo por si só, mas também uma demonstração de que finalmente, as lições estão sendo aprendidas e que a vontade de perseguir a Marvel diminuiu. Fica clara a intenção de moldar o seu universo como a rival moldou o dela. Somos introduzidos a três personagens que, acredito eu, serão importantes nas próximas empreitadas da produtora: Canário Negro, a Caçadora e a detetive Montoya.

As 3 mulheres são apresentadas como nenhum personagem havia sido apresentado antes no DCEU e, por isso, conseguimos finalmente estabelecer alguma relação de simpatia, sentimento crucial pra longevidade de qualquer franquia nos cinemas.

Todos elementos conspiraram para um resultado interessante

Também temos a questão de representatividade, outro objetivo que a DC já havia mirado antes com Mulher Maravilha mas que saiu melhor no papel do que em seu resultado final. Em Aves de Rapina temos um filme dirigido por uma mulher, com mulheres fortes como personagens centrais e tudo funciona muito bem e naturalmente, não deixando aquela sensação perigosa de que a intenção de ter um elenco feminino foi mais uma escolha estratégica do que qualquer outra coisa. Tudo funciona bem e a química entre as atrizes é incrível. Mais um ponto positivo para a DC!

As cenas de ação são bonitas e o filme aproveita a sua classificação etária. No Brasil foi de 16 anos, mas nos EUA recebeu o selo de Rated R, que significa para maiores de 17 anos, ou seja, a mesma classificação de Coringa. Apesar de usar e abusar de cenas violentas, todas são de bom gosto, onde tudo acontece e é mostrado por algum motivo. Nada espirra sangue se não tem a necessidade de espirrar.

Margot Robbie como Arlequina em Aves de Rapina


Os vilões também merecem destaque. Depois de bater de frente com um muro com praticamente todos os vilões até agora, o DCEU recebe Ewan McGregor que, por mais sádico que seja seu personagem, executa com tanto carisma que QUASE criamos algum tipo de “afeto” pelo Máscara Negra. Ótima performance do escocês!

Nem tudo deu certo, mas nada que atrapalhe o resultado

Claro que nem tudo são flores e alguns defeitos podem ser notados, especialmente no primeiro ato do filme. A edição é um pouco confusa e corrida, exigindo um pouco mais da atenção normal que o público de filmes inspirado em quadrinhos está acostumado a depositar no cinema. Especialmente nos últimos filmes que são mastigados ao máximo para atingir o maior número de pessoas possível, principalmente o público mais jovem. Isso pode ser um problema no segundo ato, mas lá pelo terceiro todo mundo já vai estar na mesma página e o filme não perde o sentido.

Prevejo algumas comparações como “Deadpool da DC” ou até mesmo alguma ligação com Guardiões da Galáxia, mas o filme não deve ser reduzido a isso. Aves de Rapina pode ser o começo de algo muito interessante no futuro dos filmes baseados em histórias em quadrinhos por ser exatamente o que é: um filme divertido que evita se levar muito a sério e não por ser algo que tenta emular o que o pessoal do outro lado do muro possa já ter feito.

Se quer saber mais de Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, veja aqui a ficha técnica completa do filme.

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